Vinho e Montanha – Mendoza

Fabiana Knolseisen, 04/03/2017

Sim, esse continua sendo um blog sobre vinhos mas também combinamos de falar sobre viagens, certo? Viagens relacionadas a vinho, claro! Então que tal encaixar uma aventura no pico mais alto da América do Sul entre um taça e outra em Mendoza? Excelente maridaje! Nesse post eu conto sobre a expedição curta no parque Aconcágua até Plaza Francia.

  • Quanto tempo: são 3 dias dentro do Parque Aconcágua com folga. Funciona assim: dia #1
    Mapa da expedição

    você tem chegar a Confluencia (3 horas de caminhada beeem tranquila); dia #2 é um bate-
    volta até Plaza Francia (3:40 hs ida e 2:40 volta – 5 a 6 horas no total) e dia #3 é só voltar a Confluencia. A volta é só descida e fizemos em 1:30hs. Vide foto do mapa.

  • Parte chata I: o Parque é meio longe da cidade e não tendo um grupo grande nem carro, tem que ir de transporte público. Foram 183 km em 4h na ida e intermináveis 6h na volta!
  • Parte chata II: você vai precisar de um Permiso – i.e., uma autorização para entrar no Parque que, além de cara é burocrática. Vamos lá:
    1. Registro no site do Ministério, impressão do boleto e pagamento da tarifa.
    2. Apresentação do comprovante de pagamento PESSOALMENTE no Centro de Visitantes e obtenção do Permiso.
  • Com ou sem guia? Olha, precisar de guia não precisa, já que os caminhos são razoavelmente identificáveis com facilidade (às vezes rola uma dúvida, mas não tem muito erro).
  • Vantagens do guia/agência: além do óbvio (papo com o guia local, atenção especializada/experiente e conforto de não ter que carregar barracas, comida e outras tralhas) tem desconto no Permiso. (uns 30 a 40% para latinos, dependendo da temporada).
  • Boa sacada: rola um esquema com as agências de contratar só a estrutura (barraca e alimentação) sem o guia. Reduz à metade o custo para 2 pessoas e ainda garante o desconto no Permiso. Eles não divulgam isso, tem que perguntar. A maldade é que você perde a oportunidade de fazer uma distribuição de renda porque exclui da equação o Guia, a p
    arte mais fraca.
  • Grau de dificuldade: bem razoável para uma pessoa saudável ainda que não muito fã de atividade física. Além disso, tem bastante folga de tempo, então é só ir “de espacito”.
  • Nível de (des)Conforto: bem confortável. As barracas (eu fui com a Inka Travel, mas há outras operadoras similares) são fixas tipo tenda, com beliches com colchonete, luz e até ponto para carregar o celular. Tem banheiro com descarga de verdade e banho (frio, mas perto das 14hs a água tá quase morna). A comida é excelente e rolou até um Santa Julia nos jantares! Não tem muita fruta, então quem gosta deve levar.
  • Nível de frio: um polar e um quebra vento pra vestir e um saco de dormir com nível conforto a -20 C) dão e sobram. Gorro e luva também recomendáveis.
  • Diferença do serviço “sem guia”: basicamento só não ter o guia e ter que caminhar um pouco mais, porque o busão de linha te deixa na estrada na entrada no Parque e, se tiver contratado guia, uma van te leva até o início da caminhada (uns 20 minutos de subida empoeirada)
  • Custos: 
    • os Permisos variam com a temporada, nacionalidade e se são com/sem agência. Eu paguei US$103 na baixa e com agência. Confira no site.
    • Serviços: para 2 pessoas a agência cobra mais ou menos US$1.000 com guia ou US$500 sem guia.

Simples Vinho por Taça

  • Para quem curte uma aventura, vale muito à pena. Até para dar uma quebrada na “rotina” de visitar bodega e degustar vinho dia e noite.
  • Para quem quer algo menos roots tem o passeio de 1 dia também.
  • Brad Pitt passou por aqui: o parque fez parte do cenário de gravações do filme 7 Anos no Tibet.
  • Para ir por conta e esticando a grana, use o busão. Confira os horários.
  • Curta a paisagem da janela: além da represa de Potrerillos o busão passa por várias bodegas pelo caminho.
  • Para quem se animar a fazer a expedição completa e conquistar os 6.961 m de altura do Aconcágua, aqui vai uma idéia do investimento:
    • 1 ano de preparação física, caprichando nos aeróbicos,
    • pelos menos 20 dias de férias – só no parque são 14 dias para subir e descer (dando tudo certo) e
    • cerca de 4 mil dólares contratando os serviços de uma agência. Segundo o Gastón, meu guia, qualquer pessoa saudável é capaz de alcançar o topo das Américas. Vai encarar ?
  • Comprar equipamento na Argentina não é uma idéia muito boa; os preços são iguais aos do Brasil. O pessoal de Mendoza me contou que faz bate-volta até o Chile, onde os preços são muito mais interessantes.

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