Os Vales (e os Vinhos) do Chile

Esta Taça resume e organiza o programa SV#36 – Chile: entre vales e vinhedos. Confira >>

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O 4o maior exportador de vinhos do mundo* é nosso vizinho: são apenas 3 horas em vôo direto relativamente barato. Já que não precisa de mais desculpas para visitar, aqui vão algumas dicas para organizar a viagem em torno do vinho.

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Apesar da extensão do território chileno no sentido norte-sul, a produção de vinhos é maciçamente concentrada num raio de 200km a partir da capital Santiago – facilitando ainda mais a vida do turista enófilo. Das 400 vinícolas em atividade no país, cerca de 150 são abertas à recepção de turistas – a grande maioria no Vale do Maipo, muito perto de Santiago e acessíveis até por transporte público.

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Quem curte vinho mas tem tempo curto em Santiago e não vai conseguir visitar nenhum produtor conta agora com a Vinolia: uma espécie de museu-escola-wine bar. A experiência consiste em esquentar os motores na Sala de los Sentidos – com 48 aromas do vinho para treinar seu olfato – e depois “visitar” o Vale de Casablanca ou Vale do Colchagua (depende do horário) degustando 5 vinhos apresentados pelo próprio produtor ou enólogo na Sala de Cine. A experiência é salgadinha (cerca de 170 reais).

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Quem gosta de vinho e tem tempo, terá a difícil missão de escolher quem visitar. Eu expliquei sobre as regiões e vales chilenos no SV#36, comentando suas características, algumas vinícolas que me interessam em cada um deles e porquê. Aqui eu deixo um “resumo super resumido”, pra ninguém ter que tomar notas enquanto ouve o programa e nem ter que ouvir o programa de novo pra pegar algum detalhe que escapou. Vamos lá!

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Confira também o vídeo teaser do programa SV#36: Chile – entre vales e vinhedos:

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Regras dos rótulos:

A legislação permite os termos Reserva, Reserva Especial, Reserva Privada e Gran reserva, mas como a gente já comentou no programa 31, esses nomes não querem dizer muita na comparação entre produtores diferentes; dentre os vinhos de um mesmo produtor, no entanto, indicam ordem crescente de qualidade.
Em 2012 foram definidas nomenclaturas complementares: Costa, Entre Cordilleras e Andes, indicativas da região em que o vale produtor está localizado, como super bem ilustrado na figura. Costa aplica-se às regiões produtoras entre o Pacífico e a Cordillera de la Costa, Andes aplica-se às regiões já no sopé da Cordilheira dos Andes e o Entre Cordilleras é alto explicativo! A regra é bem nova, e ainda não se sabe se vai “pegar”.
Vista topográfica da Região Aconcágua ilustrando as classificações Costa, Entre Cordilleras e Andes.

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As Regiões
São 6 macro regiões, mas as características dos vinhos são melhor refletidas pelas sub-regiões. 90% da produção está concentrada na Região Central, onde fica também a capital Santiago. Essa ilustração, da Clear Lake Wine Tasting, está genial e ajuda a visualizar e entender todos os vales:

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Ilustração das regiões e vales produtores no Chile. Crédito: Clear Lake Wine Tasting

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1. Região Atacama: produção de vinho insignificante

 

2. Região Coquimbo: boa produtora de uvas, majoritariamente destinadas ao consumo (uva de mesa) e à produção de pisco (aguardente nacional). Responde por apenas 3% da produção de vinho do país e historicamente produz vinhos de excelente qualidade (tanto que chegaram a ser proibidos por competirem com o espanholes). Os vinhos dessa região tendem a ser frutados, com as notas verdes tão características do Chile e típicas de climas mais frios graças à altitude e à brisa fria que vem do mar. As sub-regiões são os Vales de Choalpa, Limarí (destaque para os chardonnay e pinot noir) e Vale do Elquí (destaque para syrah e sauvignon blanc). Vinícolas da região: Tabalí, Tamaya, Maycas del Limarí e a ganhadora do prêmio Descorchados 2018 para melhor blend tinto, a Viñedos de Alcohuaz (as duas últimas não têm estrutura turística).

3. Região Aconcágua: já bem próxima à capital, compreende 3 sub-regiões. Vale do Aconcágua (destaque para a cabernet sauvignon e vinícola Errázuris) e os Valle de Casablanca e Valle de San António (inclui Valle de Leyda), a caminho das famosas praias chilenas de Valparaiso e Viñas del Mar. É uma região fresca devido à brisa do mar, e o destaque fica por conta das brancas chardonnay e sauvignon blanc e das tintas pinot noir e syrah. Várias vinícolas visitáveis por aqui, como mostra o mapa da Decanter. As minhas escolhidas para a viagem de março são a RE e a Matetic., mas vale conferir também o mapa e sugestões da revista Decanter.
Valle de Casablanca
4. Região Central: vale mais quentinho e protegido, concentra 90% de toda a produção de vinhos do país (que não é pouca!). É o berço da cabernet sauvignon, mas também se encontra muita carmenère. As sub-regiões já soam bem conhecidas: Valle del Maipo, Valle del Rapel (que contém ainda os Valle del Cachapoal e Valle del Colchagua), Valle de Curicó e Valle del Maule, nesta ordem indo pro sul. Algumas dicas de visitas por aqui:

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     Maipo
  • Santa Rita (com restaurante e hotel) – 15km desde Santiago; possível chegar em transporte público. Há várias opções de tour, iniciando em $12.000
  • Concha & Toro (com wine bar) – destaque para o, famosíssimo entre os brazucas, Casillero del Diablo – 30km desde Santiago; possível chegar em transporte público. Aqui pertinho tem ainda as super top Chadwick (do idealizador do Julgamento de Berlim, uma versão chilena do famoso Julgamento de Paris) e Almaviva.
  • Haras de Pirque (com restaurante) – 50km desde Santiago
  • Odfjell ($14.000) – 30km desde Santiago
  • Undurraga ($12.000) – 40km desde Santiago; possível chegar em transporte público. Destaque para a Sala de Aromas
  • Tarapacá – 55 km desde Santiago (apenas tours privados com reserva prévia de seg a sex)
  • De Martino – 50km desde Santiago; destaque para os vinhos de “tinaja” e os muitos premiados Descorchados 2018 (veja aqui)

     Valle de Rapel – Colchagua

  • Viu Manent (com restaurante) – 180km desde Santiago
  • Casa Silva (com hotel e restaurante) – 140km desde Santiago
  • Koyle – destaque: vinhedos orgânicos e biodinâmicos
  • Ventisquero – (com restaurante) – 120km desde Santiago
  • Vinã Montes (com restaurante) – 180km desde Santiago
  • Casa Lapostolle (com hotel e restaurante) – 180km desde Santiago (pegadinho à Montes); considerada arquitetonicamente uma das mais belas do mundo
  • Lara Hartwig – charmosíssima vinícola boutique, com vinhos premiados e também pegadinha à Montes e à Lapostolle.

     Valle de Curicó

  • Miguel Torres (com restaurante) – 200km desde Santiago

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5. Região Sul: Valle de Itata e Valle de BioBio são pouco produtivos no Chile, talvez porque seja tão fácil produzir no Valle Central. Algumas vinícolas até mantém vinhedos por aqui, como a De Martino, mas as sedes ficam em localidades mais centrais. O destaque por aqui é a Cacique Maravilla e seu Pipeño de uva País ou o laranja de Moscatel – cepas resistentes ao clima inóspito. Perto de Puerto Montt dá para conhecer e até se hospedar na Villa Señor, uma das bodegas mais austrais do planeta e, com um pinot noir bastante respeitável segundo a mestra Jancis Robson! Confira aqui.

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6. Região Austral: por aqui só vinhedos experimentais (alguns até são privados, mas sempre com apoio governamental). A motivação para produzir em território tão extremo parece ser muito mais o troféu de “vinho mais austral do mundo” do que a qualidade em si.

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Confere também o vídeo teaser do programa SV#36 >>
* Dados da OIV – State of the Vitiviniculture World Market April 2016. Excluding must

 

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Simples Vinho por Taça

  • A uva ícone do Chile é a Carmenère, que se pensava extinta devido à filoxera mas sobreviveu no Chile meio que perdida entre em vinhedos de Merlot.
  • A uva mais plantada é a Cabernet Sauvignon, mas alguns enólogos estão resgatando a País, especialmente na região Sul e também obtendo bons resultados com a Carignan no Maule. Conheça as características destas cepas no ABC do Simples Vinho.
  • Confira também os vinhos chilenos premiados pelo Guia Descorchados 2018 >>
  • Se ainda não ouviu, não deixe de conferir o SV#36, falando do Chile, seus vinhos, seus vales e muito mais história e músicas!

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