ABC do Simples Vinho

Essa página é tipo um dicionário do vinho, mas só com termos mencionados nos podcasts. Ela vai crescer conforme formos avançando em nossas trilhas. Não tem a pretensão de ser exaustiva e nem definitiva. Me avisa se faltou alguma definição!

AAcidez: sensação de frescura, que nos faz salivar. Pode-se provar comparando um copo de água pura e um com um pouco de limão. Característica desejada nos brancos jovens. Na sua falta, dizemos que o vinho é “chato”.

Adstringência: sensação de secura, tipo lixa, na língua e gengivas provocada pelos taninos. É, portanto, mais esperada nos tintos, mas pode também ser encontrada em alguns brancos, seja por taninoss agregados pelas barricas ou vindos das cascas e sementes no processo de prensa das uvas. Pode-se treinar o paladar em variáveis níveis de adstringência “brincando” com chá preto: quanto maior o tempo de infusão, mais adstringente será o chá.

Amarone (della Valpolicella): DOCG italiana, da região do Veneto, província de Verona. Vinho tinto bastante encorpado produzido a partir de uvas passificadas (originalmente utilizando a técnica passito – também chamada straw wine ou vin de paille. Atualmente a passificação ocorre em câmaras especiais e dura cerca de 120 dias) das variedades Corvina, Rondinella e Molinara. Amarone em italiano significa “amargo” foi utilizado para diferenciar este vinho do Recioto (della Valpolicella).

Amplitude Térmica: é simplesmente a diferença de temperatura entre dia e noite. Uma elevada amplitude é considerada benéfica porque por um lado a uva precisa de calor para amadurecer bem (e vinhos de qualidade requerem uvas bem maduras), mas durante a noite (quando nao dá para fazer fotossíntese mas a planta precisa continuar respirando) a respiração consome carboidratos acumulados nas uvas, e que serão os responsáveis pela cor, aromas e sabores do futuro vinho. Quanto mais frio, menor é esse consumo noturno e mais expressivo será o vinho produzido.

Antocianinas: substâncias fenólicas colorantes presentes majoritariamente nas cascas da uva.

AOC: sigla francesa – Appellation d’origine contrôlée – .correspondente a certificado de indicação geográfica, baseado no conceito de terroir, atribuído pela autoridade francesa (INAO) a vinhos, queijos, manteigas e outros produtos agropecuários. Equivale a DOC (denominação de origem controlada) e DOP (denominação de origem protegida).

Asti: vinho espumante italiano feito 100% a partir de uvas moscatel, com a toma de espuma acontecendo em tanque na primeira fermentação. O método Asti é bastante empregado na fabricação de espumantes no sul do Brasil.

Assyrtiko: espécie de uva nativa da ilha grega de Santorini conhecida por sua elevada acidez, que não é perdida ainda que se atinjam elevados graus de madurez devido aos solos vulcânicos das ilhas.

Autóctone: uva nativa de determinado local. Por exemplo, a Sangiovese é autóctone de Chianti, na Itália.

Autólise: decomposição das leveduras mortas e dissolução no vinho. Acrescenta cremosidade e aromas a frutos secos (nozes e amendodas)

 

B

Baga: uva tinta autóctone da DOP Bairrada, ao sul do rio Douro em Portugal. Para saber mais consulte SV#14.

Barolo: DOCG italiana, da região de Piemonte, feito a partir da uva nebiollo.

Barolo Chinato:  digestivo feito com vinho Barolo velho acrescido de casca de cinchona (árvore andina de onde se extrai o quinino) e outros ingredientes, dependendo da receita de cada produtor, sendo os mais comuns: canela, coriandro, menta e baunilha. Foi a inspiração para o uruguaio Alcyone, da Viñedo de los Vientos – história contada no SV#18.

Barricas: recipientes de carvalho, geralmente francês ou americano mas também crescentemente húngaro, utilizados para envelhecer vinho. Proporciona melhora nos aromas e sabores por transferência e por micro oxigenação. Influi no potencial de guarda or conferir estabilidade aos vinhos.

Beaujolais Nouveau (bujolé nouvô): vinho tinto produzido na região de Beaujolais na França utilizando a técnica de maceração carbônica e uvas gamay. É muito leve e aromático – um marcador típico é aroma a banana madura – e só pode ser vendido a partir da terceira quinta-feira do mês de novembro. Saiba mais no SV#11.

Biodinâmico: ver Vinho Biodinâmico.

Blanc de noir: (blanc di noar) vinho branco feito a partir de uvas tintas.

Bonarda: 2a variedade mais plantada na Argentina, é uma uva tinta de pele grossa. maduração tardia (por isso se deu bem em Mendoza!) e origem confusa (como sempre!). Seu perfil de DNA indica tratar-se de uma uva ítalo-francesa chamada Douce Noir (ou Charbono nos EUA) sem nenhuma relação com a bonarda piemontesa. Mais um caso de confusão de nomes que “pegou”. Produz vinhos com muita fruta e acidez que merecem ser apreciados!

Borras: leveduras mortas

Botrytis cinerea: do latim “uvas como cinzas”, trata-se de um fungo que ataca várias espécies de plantas. Nas uvas, em condições especiais que combinam umidade (fog matinal em vales próximos a rios) e clima seco dá origem à Botrytis Nobre, que desidrata as uvas e lhes confere notas de mel e defumados. Alguns vinhos botrytizados famosos são os Tokaji (Hungria) e Sauternes (França). Saiba mais no SV#23.

 

C

Carmenére: uva tinta, origem francesa, eleita emblemática do Chile. Produz vinhos de tanicidade intermediária e aromas de especiarías.

Carvalho: termo referente às barricas (de carvalho) utilizadas no envelhecimento e afinação dos vinhos (idem a “madeira”). Ver “barricas”.

Champanhe: espumante AOC produzido na região francesa de Champagne.

Champenoise: (pronúncia: champenoá) método de produção de vinhos espumantes em que a segunda fermentação acontece na garrafa. Também conhecido como método tradicional. Consulte SV#12 para descrição detalhada.

Chaptalização: adição de açúcar ao mosto com a finalidade de elevar o teor alcoólico do vinho, também chamada “enriquecimento” por incrementar o corpo, volume em boca e longevidade. Leva esse nome em homenagem a seu maior defensor, o químico francês Jean-Antoine-Claude Chaptal.

Charmat: método de produção de vinhos espumantes em que a segunda fermentação acontece em tanques. Também conhecido como método italiano ou de tanque. Consulte SV#12 para descrição detalhada.

Chato: aplica-se a um vinho com acidez abaixo da desejada.

Chianti: região italiana (Toscana) produtora de vinhos DOCG baseados na uva autóctone sangiovese. Chianti Classico é também uma DOCG, menor, contida na região de Chianti e com regras mais rígidas.

Colheita Tardia: estilo de vinho adocicado obtido a partir de uvas com maior teor de açúcar advindo sobremaduração resultante da colheita tardia. Originou-se na Alemanha, certo ano em que a autorização para a colheita (dada pelo rei) atrasou e as uvas murcharam nas videiras. Os monges decidiram vinificar mesmo assim, o resultado surpreendeu e agradou. Nomes locais incluem Spätlese (Alemanha), Cosecha Tardía (Espanha), Vendange Tardive – VT (França) e Late Harvest,

Complexo: especialmente aplicado a vinhos que envelheceram na garrafa e com isso ganharam notas mais interessantes de aromas e sabor.

Corpo: consistência do vinho sentida em boca. Proporcionada principalmente pelos taninos mas também pelo álcool. Também se utiliza o termo “estrutura”.

Crianza sobre lías: expressão em espanhol que significa o mesmo que sur lie (em francês), e é a permanência do vinho sobre as leveduras mortas. É bastante comum nos champanhes mas também utilizada com brancos tranquilos, especialmente chardonnays. Técnica muito poderosa para agregar complexidade de aromas ao vinho e um toque untuoso no paladar. Em português não existe um nome bonito para as leveduras mortas: chamam de borra.

D

Decanter: jarro de vidro utilizado para “abrir” vinhos fechados – ou seja: facilitar a aeração ou a oxidação. Também utilizado para reter os resíduos (tartratos) do vinho, evitando que passem às taças.

Degorge: processo de remoção das borras utilizado no método champenoise de producao de espumante.

DOC: Denominação de Origem Controlada (na Itália: Denominazione di Origine Controllata). Ver AOC.

DOCG: Denominazione di Origine Controllata e Garantita – é a mais alta certificação de origem geográfica utilizada na Itália. Ver também AOC.

DOP: Denominação de Origem Protegida. Ver AOC.

F

Fechado: chamamos “fechado” a um vinho que nao entrega seus aromas logo de cara. Normalmente são aqueles que passam largos períodos por barricas. Após uns 30 minutos em decanter, pode-se notar os efeitos do contato com o oxigênio: o vinho se “abre” e é possível identificar aromas a frutas e madeira em seu bouquet.

Fermentação alcoólica: também chamada fermentação principal, consiste na transformação do açúcar em álcool, pela ação de leveduras, e liberação de gás carbônico.

Fermentação malolática: consiste na transformação do ácido málico (duro, agressivo) em ácido lácteo (mais amável) pela ação das bactérias lácteas. Reduz a acidez do vinho e confere aromas lácteos e untuosidade em boca. É menos comum nos brancos jovens e frescos.

Fermentado em barrica: recipiente de fermentação alternativo (o mais comum atualmente é o tanque de aço inox) que produz um vinho mais cremoso, a sensação em boca mais aveludada e as notas de madeira – baunilhas, caramelo, etc – melhor integradas (não sobressaem tanto quanto nos casos em que o vinho é apenas envelhecido em barricas). As notas primárias (de frutas) são mais bem preservadas também. Isso resulta do maior contato com as borras (ver crianza sobre lías e Autólise) e microoxigenação proporcionados pelo recipiente menor e poroso. Normalmente são utilizadas barricas novas. Essa prática é mais comum com chardonnays.

Fortificação: técnica de adição de álcool ao vinho, produzindo assim um vinho fortificado. Em espanhol também se diz “encabezar”. Alguns exemplos: Porto, Marsala, Jerez e Madeira. Quando feita antes do final da fermentação alcoólica, a fortificação interrompe o processo pois cria um meio hostil às leveduras; o vinho resultante será doce devido à existência de açúcar residual.

Frizante: vinho efervescente com pressão interna entre 1 a 3 atms. Ex.: lambrusco

espacog

Gamay (gamé): variedade de uva tinta francesa típica da região de Beaujolais, ao sul da Borgonha. O nome completo é Gamay Noir à Jus Blanc, mas também pode ser encontrada como Gamay Beaujolais, Gamay Noir e Jurançon Noir. Tem a casca delicada, poucos taninos e boa acidez, semelhante à pinot noir (da qual descende, segundo estudos de DNA). Produz majoritariamente vinhos leves e frutados – cereja, morango e banana – sendo o mais famoso o Beaujolais Nouveau.

IGT: Segunda classificação de origem italiana, apenas acima do Vino de Tavola, onde são enquadrados os Super Toscanos.

jJeréz (Xeres – Sherry): denominação de origem (D.O.) mais antiga da Espanha, datando 1933. Aplica-se a vinhos fortificados produzidos nas cidades Andaluzes de Jeréz de La Frontera, Puerto de Santa Maria ou Sanlucár de Barrameda a partir das uvas (brancas) Palomino Fino, Pedro Ximenes e Moscatel de Alexandria sob a técnica de vêlo de flor em 3 categorias: Fino, Amontillado e Oloroso (esses dois últimos, oxidados), podendo abarcar também a D.O. Manzanilla.

Jura: região francesa próxima à fronteira com a Suíça, a leste, famosa por seus vin de paille.

Jurançon: AOC do sudoeste francês, próxima aos Pirineus e à fronteira com a Espanha famosa pelos vinhos à base de Gros Manseng, Petit Manseng e Courbu – especialmente os vinhos doces de colheita tardia e, às vezes, botrytizados.

Koulara: método de condução de videiras desenvolvido e utilizado em Santorini, Grécia. A videira vai sendo enrolada, como num cesto, de forma que os cachos de uvas fiquem do lado de dentro e sejam protegidos dos ventos e do sol pelos galhos e folhas.

L

Lágrimas: gotas de vinho que se formam na parede da taça (fenômeno físico chamado Gibbs-Marangoni). A quantidade de gotas e a forma como escorrem – podem ser “poucas e grossas”, “muitas e finas”, longas, rápidas etc. – é proporcional ao teor alcoólico e/ou concentração de açúcar e, contrário à crença comum, não tem relação com qualidade. Também se diz “pernas”.

Leveduras: fungos, como bolores e cogumelos, responsáveis pela fermentação alcoólica (ver também crianza sobre lías e sur lie)

 

M

Maceração: etapa da vinificação especialmente importante para os tintos, em que o contato do suco com as cascas extrai destas substancias fenólicas (de cor e aromas) e taninos.

Maceração Carbônica: vinificação conduzida em ambiente anaeróbico (atmosfera saturada em gás carbônico) e sem ruptura das cascas de uva, em que a fermentação é realizada por enzimas. Resulta num vinho muito leve e aromático. Seu representante mais famoso é o Beaujolais Nouveau. Ver também o programa SV#11 Le Beaujolais Nouveau est Arrivé!

Maceração Pré-Fermentativa: técnica em que grãos de uva inteiros são deixados “de molho” por cerca de 5 dias a baixas temperaturas (~15C) antes da fermentação alcoólica. É originária da Borgonha para maximar a extração de cor nos pálidos pinot noirs. Não há pesquisas (nem consenso) comprovando seus supostos benefícios. Os adeptos acreditam que a técnica permite a extração de mais e melhor cor, taninos e compostos aromáticos. Em inglês: cold soaking ou extended maceration.

Madeira: termo referente às barricas (de carvalho) utilizadas no envelhecimento e afinação dos vinhos. Ver “barricas”. Não confundir com o Madeira DOP, denominação de origem da Ilha da Madeira.

Malbec: uva tinta originária de Cahors, na França, e eleita emblemática da Argentina. Produz vinhos com bom corpo, taninos aveludados e ataque doce. É ótima para expressar terroir! Confira no SV#15.

Marsala: Vinho fortificado DOC da cidade de Marsala, na Sicilia (Itália), que pode ser doce (como um Porto) ou seco.

Mendoza: região responsável por mais de 70% da produção Argentina de vinhos. Sua vedete é a Malbec e, em segundo lugar, a Bonarda. Sub-regiões: Maipú (leste), Luján de Cuyo, Valle de Uco e San Rafael (sul). Mais info no SV#15.

Mínima intervenção: filosofia em moda no mundo do vinho que busca valorizar o terroir e a variedade em detrimento da utilização de técnicas “intervencionistas” como barricas, leveduras selecionadas, filtragens, clarificações etc. Essa filosofia permeia as linhas de vinhos naturais, orgânicos e biodinâmicos, e é discutida nos no SV#17.

Mosto: Caldo de uva que será vinificado.

Orgânico: ver Vinho Orgânico.

Ovo de cimento: tanque de fermentação em forma de ovo idealizado pelo produtor biodinâmico francês Michel Chapoutier em 2001 e última moda atualmente. Supostamente o formato do ovo concentra um vortex de energia celestial que mantém o vinho em constante movimento, impedindo que as borras se depositem no fundo do tanque e assim maximizando a transferência de características organolépticas. Dada sua porosidade, o ovo atua como uma barrica permitindo a microoxigenação e estabilização do vinho sem, contudo, impor aromas e taninos. Conheça alguns vinhos feitos em ovos no SV#18 ou nessa taça.

P

Passito (vin de paille e straw wine): nome italiano dado aos vinhos doces produzidos a partir de uvas passificadas. Originalmente as uvas eram distribuídas em esteiras e deixadas ao sol; hoje são utilizadas câmaras especiais. Alguns passitos famosos: Vin Santo (Toscana), de Pantellaria (da ilha de Pantellaria), Recioto della Valpolicella e Picolit (Friuli). Em francês a técnica é chamada Vin de Paille e em  inglês Straw Wine. Esta e outras técnicas para obtenção de vinhos doces são comentadas no SV#23.

Pé de cuba: mistura de mosto acrescido de leveduras adicionado ao tanque para facilitar o início da fermentação.

Periquita: nome dado à uva Castelão (tinta portuguesa) na península de Setúbal. É também o nome de um vinho português bastante apreciado entre os brasileiros.

Pigeage: em inglês é punch down. Técnica de furar o sombreiro, ou a capa de cascas de uvas que se forma na superfície do mosto, empurrada pelo gás carbônico liberado na fermentação alcoólica. Evita a formação de ácido acético e ajuda a extração de substâncias fenólicas das cascas.

Pinot noir: (pinô noar) uva tinta de origem francesa, emblemática da região da Borgonha e única tinta utilizada nos champanhes. Produz vinhos delicados, ácidos e pouco tânicos.

Puttonios: unidade indicativa do nível de açúcar nos vinhos botritizados húngaros Tokaji Aszú. A medida origina-se da prática antiga de coletar as uvas afetadas pela botrytis cinerea em cestos chamados puttonyos que eram então adicionados a barricas de mosto comum. Correspondência do número de puttonyos à concentração de açúcar em gramas/litro:

  • 3 Puttonyos – 60
  • 4 Puttonyos – 90
  • 5 Puttonyos – 120
  • 6 Puttonyos – 150
  • Aszú Eszencia – 180

R

Recioto: vinho doce estilo passito da província de Verona da região italiana do Veneto. O nome vem da palavra recie, que no dialeto local antigo significa “orelha” e deriva do formato dos cachos de uva desta variedade (originalmente a Garganega, de Soave, mas também aplicado às variedades de Valpolicella) que tendem a formar pequenas saliências, como orelhas. As uvas dessas saliências recebiam mais sol e amadureciam mais completamente, proporcionando vinhos mais concentrados e com açúcar residual. Referências ao Recioto de Soave remontam ao século 5. Na Valpolicella, caso a fermentação do recioto seja completa, resultará no vinho seco Amarone della Valpolicella. Esse vinho foi apresentado no SV#23.

Redondo: um dos melhores adjetivos que se pode dar a um vinho. Indica que todas as suas características – aroma, acidez, corpo etc – estão equilibradas (ver gráfico tipo teia de aranha no SV#05).

Remoage / Remoagem: processo de condução das borras para o bico da garrafa e posterior extração (utilizado no método champenoise de producao de espumante).

Ripasso de Valpolicella: DOC da região de Valpolicella na província de Verona na Itália, feito com cascas que sobraram da fermentação de Amarone ou Recioto, que são outros tipos de vinho italiano. Essas cascas que sobram são “repassadas”, isto é: adicionadas ao um vinho vapolicella e mescla deixada pra macerar, assim fornecendo uma fonte extra de taninos e compostos fenólicos que agregam complexidade, corpo e cor ao vinho original. A uruguaia Viñedo de los Vientos faz um ripasso de tannat único no mundo. Eu conto desse e outros vinhos “loucos” no SV#18.

 

s

Sangiovese: variedade de uva tinta autóctone italiana com elevada acidez, pouca cor (tipo um pinot noir) e muitos taninos! É a única variedade do famoso Brunello de Montalcino, e principal componente dos Vino Nobile di Montepulciano, Chianti e da maioria dos Super Toscanos.

Sangria: (do francês ‘saignée’) técnica utilizada para aumentar a proporção de cascas no mosto durante a fermentação e assim otimizar a extração de cor e taninos. Consiste em “sangrar” parte do suco, que pode ser descartada ou utilizada na produção de rosé.

Sauternes: região francesa ao sul de Bordeaux famosa pela produção de vinhos botrytizados.

Sauvignon blanc (sovinhón blan): variedade de uva francesa que produz vinhos varietais brancos aromáticos e leves.

Solera: (também chamado in perpetuum) termo em espanhol para a técnica utilizada em Jerez de La Frontera de mesclar safras de vinhos: a cada ano, uma parte da produção é reservada e mesclada a partidas anteriores. O termo se origina da forma como se organizam os barris onde o vinho é armazenado: todos alinhados, deitados no chão em fileiras empilhadas. Na base da pilha, ou soleira, está a mescla de vinhos mais antiga. Daí sai o vinho que será engarrafado e vendido, e o volume desses barris será preenchido com o vinho dos barris da fileira de cima e assim sucessivamente. No espaço liberado na fileira do topo por esse processo entrará o vinho do ano. Práticas similares – ainda que não tão cartesianas – são utilizadas nos champanhes, whisques, marsala e várias outras bebidas. O objetivo é preservar as características do produto independente da safra.

Sombreiro: capa formada pelas cascas das uvas na superfície do mosto durante a fermentação. As cascas são empurradas para cima pelo gás carbônico liberado.

Suco de gota: aquele obtido com mínima pressão. Apenas o suficiente para romper a casca. Representa cerca de 60% do suco total contido na uva e é o mais nobre, pois o uso de pressão extrai taninos verdes e amargos das cascas e sementes, produzindo vinhos de qualidade inferior. Também chamado vinho de gota.

Sulfitos: (fórmula química SO2) utilizado em toda a indústria alimentar, não só a vitivinícola, para a preservação de alimentos. Não causa dor de cabeça (é provavelmente ressaca mesmo) mas pode provocar reações em pessoas alérgicas.

Super Toscano: vinho italiano classificado como IGT por não poder (ou não querer) ser classificado como Chianti ou Chianti Clássico. A história do surgimento dessa classe de vinhos é contada no SV#16.

Sur lie: ver crianza sobre lías.

T

Tânico: diz-se do vinho com notável concentração de taninos. Um vinho assim se mostra volumoso e adstringente na boca.

Taninos: substâncias fenólicas presentes nas uvas, especialmente nas cascas e sementes, que conferem adstringência, corpo e potencial de guarda aos tintos.

Terroir: conjunto de características naturais – solo, clima e relevo –   em outros locais e, portanto, tornam o produto (vinho ou outros) da região único. É a base do sistema de garantia de origem francês (AOC) que influenciou o mundo todo. Pode também incluir aspectos culturais (escolha da variedade de uva, leveduras nativas x padrão, uso de carvalho), embora sejam menos determinantes na qualidade do produto.

Tokaji Aszú: Rei dos vinhos e vinho dos reis, produzido na região de Tokaj, que tem sua maior parte em território húngaro mas compreende terras na Eslováquia. Utiliza várias uvas brancas da região, com destaque para a Furmint. O termo Aszú indica que provém de uvas afetadas pela forma nobre da botrytis cinerea.

Toma de espuma: etapa da produção de espumantes em que ocorre a segunda fermentação, responsável por gerar o gás carbônico – ou as famosas borbulhas.

Torrontés: variedade de uva nativa da argentina que produz varietais brancos muito perfumados e florais. Há 3 variedades: San Juanino, Mendocino e Riojano – este último é o de melhor qualidade. Bastante plantado em altitude (Cafayate, Salta).

Touriga Nacional: uva tinta autóctone de Portugal, utilizada em todo o país especialmente na DOC Douro. Produz vinhos encorpados, de cor rubi intensa e taninos abundantes. Tem o aroma a violetas como característica diferencial. Para saber mais consulte SV#14.

 

V

Velo de flor: capa de leveduras que se forma na superfície do vinho nos processos de crianza biológica, típico da D.O. espanhola de Jerez. Essa camada de leveduras tem dupla função: a) isolar o vinho do bolsão de oxigênio dentro da bota de carvalho (que só é cheia parcialmente, cerca de 5/6), impedindo sua oxidação e lhe atribuir características organolépticas.

Vinho de gota: vinho feito a partir do suco de gota.

Vinho Fino: vinho de qualidade superior ao “de mesa”, por exemplo. A definição exata varia de país a país. No Brasil, conforme a Lei nº 7.678, de 1988, deve ser feito exclusivamente a partir de vitis viníferas do grupo Nobre, ter entre 8,6 e 14% de álcool e “mediante processos tecnológicos adequados”.

Vinho Biodinâmico: produzido a partir de cultura orgânica limitada a preparados biodinâmicos, com técnicas baseadas na antroposofia (do Rudolph Steiner, o mesmo do método Waldorf) e observação do calendário lunar. Está regulamentado e a agência certificadora mais famosa é a Demetri. Veja mais no SV#17.

Vinho de Maconha: legalmente nem é vinho. Obtido co-fermentado folhas de maconha com as uvas ou com a técnica caseira de infusão. Parece que dá um barato legal se você conseguir superar a barreira do cheiro. É produzido na Califórnia, único estado americano em que a mistura de maconha e álcool não está proibida. Veja mais no SV#17.

Vinho Laranja: também chamado “âmbar”, é basicamente um vinho branco feito como um tinto, isto é, com tempo de maceração (contato com as cascas e sementes) geralmente superior a 30 dias, daí sua cor alaranjada, estrutura e taninos. É comum também que a fermentação ocorra em tanques abertos, gerando oxidação. Os argentinos Michelini são fãs do estilo (conheça mais no SV#18).

Vinho Natural: apesar de estar na moda, não tem definição legal. Os adeptos do estilo dizem que é o vinho produzido “sem adicionar nem retirar nada”, fazendo referência à adição de acidificantes, açúcar,  barricas, sulfitos etc e à retirada através de processos de clarificação e filtragens. A cultura é orgânica e as leveduras nativas. Os críticos dizem que o vinho natural varia de “lindas expressões do terroir” a “líquidos turvos e fedorentos”.  Veja mais no SV#17.

Vinho Orgânico:  feitos a partir de uvas cultivadas organicamente – sem herbicidas, pesticidas, fertilizantes,  ou qualquer outro produto tóxico industrial ou geneticamente modificado – e fermentadas pelas leveduras nativas do vinhedo. Nos E.U.A. têm zero sulfitos, mas em outros países algum sulfito é tolerado. Veja mais no SV#17.

Vinho Verde: DOC do norte de Portugal, de clima chuvoso e com forte influência atlântica, que dificulta o completo amadurecimento da uva – daí o termo “verde”. Os vinhos, que podem ser brancos, tintos ou rosados, resultam frescos, ácidos, às vezes com agulhas, pouco alcoólicos e que devem ser bebidos jovens. Saiba mais em SV#14 Um Passeio por Portugal.

Vinho do Porto (Oporto): vinho de sobremesa, fortificado (álcool agregado) e doce, da DOC Douro (Portugal).

Vinho fortificado: vinho ao qual foi adicionado álcool. Ver também Fortificação.

Vinificação: transformação do suco de uva em vinho, pela fermentação alcoólica provocada por leveduras.

Vino de cosechero: vinho leve e frutado produzido nas regiões de Rioja Alavesa e Jumilla, na Espanha, logo após a colheita e utilizando a técnica de maceração carbônica. Saiba mais em SV#11 Beaujolais Nouveau est Arrivé!

Vin Santo: vinho estilo passito típico da região italiana da Toscana, normalmente doce e feito com uvas brancas (pode ser seco, ter vários níveis de doçura e chegar a rosé). A harmonização típica é com um biscoito local à base de amêndoas chamado cantuccini (que deve ser molhado no vinho).

Vinsanto: vinho estilo passito da ilha grega Santorini. Feito majoritariamente da uva nativa Assyrtiko e envelhecido em barricas de carvalho por pelo menos 24 meses. A doçura é muito bem balanceada pela elevada acidez das uvas nativas utilizadas e pela mineralidade do solo vulcânico, fazendo com que harmonize com uma grande variedade de pratos. Um dado interessante sobre o cultivo de uvas na ilha é sua imunidade à filoxera e a técnica local de condução chamada koulara.

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