´País: uruguai

Meu carrinho de compras no Salón del Vino do Géant de 2016
Meu carrinho de compras no Salón del Vino do Géant de 2016
Fabiana Knolseisen, 01/05/2017

Sugestão de roteiro para curtir Montevidéu (e o Uruguai) você encontra bem explicadinha no programa SV#19. Aqui é pa-pum: só os nomes e links para os locais sugeridos.

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Em Montevidéu

Comece tomando o ônibus turístico: você pode subir e baixar em qualquer parada durante todo o dia, mas eu recomendo fazer o circuito todo (leva 3 horas) e só descer para o almoço no Mercado del Puerto (Parada 0).

Montevideo Wine Experience bem em frente ao Porto, do lado de fora do Mercado. Aproveite uma das ofertas de vinhos por taça e a degustação de azeites ou opte pela caipirinha de sauvignon blanc. A atenção aqui fica por conta do Líber Pisciottano, que além de simpaticíssimo e ter sido eleito o segundo melhor sommelier do país em 2015, fala português.

Dagda Beer & Wine: provar vinhos, cervejas (uruguaias e internacionais), beliscar e até aprender sobre charutos com a Flávia e o Richard - dois ótimos sommeliers com paixões muito além do vinho. Não deixe de explorá-las e aprender sobre as cervejas artesanais e os charutos uruguaios!

Jantar no salão vermelho do Rara Avis dentro do Teatro Solís. É bem pomposo e tem música ao vivo nos finais de semana. E tango, claro!

Boca Negra: Um bar de tapas - comidinhas para "picar" - e vinhos que conta com aquelas máquinas Enomatic. Ótimo happy hour e para explorar os vinhos locais e importados.

Paninis: conta com Menu Ejecutivo no almoço durante a semana (entrada + principal + sobremesa + taça de vinho) ou dá pra pedir da Carta a "lasanha para compartir".

La Perdiz: em Punta Carretas perto do shoping.  Parrilla show, onde vão os locais. Para beber, confira o preço do Etiqueta Negra da Tarapacá - costuma valer super à pena.

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Salón del Vino de Géant:  durante 3 semanas em junho o hipermercado promove os vinhos (uruguaios e estrangeiros) com stands de degustação e ofertas incríveis. A entrada é livre e pode até ir todo dia!

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Prove também o caviar e os charutos hechos en Uruguay!

Bodegas:

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A Leste: Maldonado e Punta del Este

Bodegas:

Sala de barricas na Pizzorno
Sala de barricas na Pizzorno
Visita em Alto de la Ballena
Visita em Alto de la Ballena
Boca Negra
Boca Negra
Recepção em Viñedo de los Vientos
Recepção em Viñedo de los Vientos

Restaurantes: Lo de Tere e Garzón (Francis Mallmman)

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Hotel: Casa Pueblo

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Meu azeite uruguaio preferido também é produzido nessa região, pela Finca Babieca.

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Conheça também Cabo Polónio, uma vila hiponga à qual só se chega em 4x4. Vale conferir as dicas da Mile Cardoso sobre lá (e outras uruguaíces).

 

A Oeste: Colónia

Bodegas

Aqui também dá para conhecer a produção de azeites na Almazara Familia Longo.

 

Almacén de la Capilla
Almacén de la Capilla
Fabiana Knolseisen, 17/04/2017

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No SV#18 eu comento vários vinhos diferentões e faço uma reflexão sobre vinhos tão diferentões quanto aqueles super famosos dos argentinos Michelini mas muito menos badalados e, portanto, com ótimo custo benefício. É esse o caso do Unum, da bodega uruguaia Chiapella.

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É diferentão porque as sete variedades que o compõe são co-fermentadas – decisão meio kamikaze que é super apreciada nos vinhos dos Michelini. É kamikaze porque o enólogo abre mão de controle ao decidir co-fermentar: nos vinhos tradicionais cada variedade é fermentada separadamente (às vezes até parcelas da mesma variedade) e só depois é feito o corte, que define o percentual de participação de cada uma no blend final.

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As enólogas Karina e Laura Chiapella não só co-fermentam mas também colhem todas as variedades no mesmo momento, quando a última variedade atinge o grau ideal de maturação – no caso, a cabernet sauvignon. Isso é ousado porque quanto mais o viticultor demora em colher, maior sua exposição a perdas com chuvas, granizo etc. Elas contam que o objetivo é, em lugar de ressaltar uma ou outra uva, encontrar o ponto de equilíbrio entre clima-homem-solo – ou seja o terroir – mesmo ponto exaltado pelos Michelini.

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As 7 variedades tintas são Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Marselan,  Arinarnoa e Alicante H. Bouschet. O caldo é então envelhecido por 9 meses em barricas de primeiro, segundo e terceiro usos. O vinho foi criado em 2009 em celebração aos 50 anos da bodega, e só é elaborado em anos excepcionais: 2009, 2011, 2013 e 2015.

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O Unum não chega ao Brasil ainda, mas no Uruguai ele pode ser encontrado por menos de R$70. Um super achado! Eu comparo sempre com os Michelini (conheça aqui) porque eles são super badalados, com vinhos caros, enquanto o Unum é desconhecido até para muitos uruguaios. Sorte nossa!

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Conheça a Chiapella >>

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Simpatia uruguaia na recepção de Viñedo de los Vientos
Fabiana Knolseisen, 10/04/2017


Não fosse pela presença da uva tannat, poderia-se pensar por um momento que estamos na Itália. Pablo Fallabrino é um uruguaio que, como tantos descendentes de italianos no Uruguai e mundo afora, se dedica a produzir vinhos. Mas com um twist. Com vários twists! Uma das visitas mais didáticas e autênticas em que já estive, Viñedo de Los Vientos é decididamente um must go.

Por que visitar ? Vejamos:

  • O skate encostado no tanque de fermentação já te indica que essa é uma bodega diferente (não é decoração, o skate é utilizado pra transportas as caixas de uvas).
  • Fallabrino se orgulha e valoriza sua ascendência italiana, fazendo vinhos que são um tributo a essa herança: uvas italianas, nomes dos vinhos e um licor inspirado nos vinhos Marsala e nos Barolo Chinato. É de tannat, mas não parece. Experiemente beeeem gelado!
  • Até onde sabemos, aqui também você vai poder encontrar o único ripasso de Tannat do mundo!
  • Há tempos flertando com mínima intervenção e outras naturebices, um fungicida é a única adição aos vinhedos (o Uruguai é muito úmido e talvez seja impossível cultivar organicamente) e em 2016 saiu Anarkia – um tannat sem adição de sulfitos e fermentado com leveduras indígenas, eleito Revelação do Ano pelo Guia Descorchados 2017.

Conheça mais sobre o trabalho do Pablo no SV#18 – Supernatural.

Conheça sem sair do Brasil: vários dos vinhos estão disponíveis por aqui! Confira.

 

           

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 Uma canjinha do Pablo nesse vídeo em Espanhol

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Simples Vinho Por Taça:

  • São 50km que você faz em 1h desde Montevidéu (mapa)
  • Pode ser uma parada estratégica na ida a Punta del Este, que fica a 1h20 da bodega.
  • Agende com a Mariana antes de ir: +598 9937 2723 (pode ser por whatsapp) ou info@vinedodelosvientos.com
  • Conheça mais da filosofia e história da bodega no website >>.
As magas Valentina Gatti e Analía Lazaneo
As magas Valentina Gatti e Analía Lazaneo
Fabiana Knolseisen, 31/12/2016

Decididamente, a bodega mais feminina nos arredores de Montevidéu e possivelmente a mais charmosa. Pequenininha e focada exclusivamente em uvas tintas, desse empreendimento de capital americano, mais precisamente Californiano, no Uruguai resulta esse surpreendente casamento da Zinfandel, ícone da California, com a tannat, ícone Uruguaio. A companhia da merlot garante a sobriedade ao blend mais pretensioso da casa, e um dos meus vinhos preferidos no Paisito. Em breve poderemos também conferir o que trará a caçula da casa, a cabernet franc, cuja primeira colheita acontece agora em 2017.

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A recente sensação da bodega entre os sommeliers (e todo o público que o experimenta), no entanto, é o tannat rosé. Entusiastas do rosé, as enólogas Analía Lazaneo e Valentina Gatti se esmeram na produção dessa jóia: uvas de parcelas selecionadas sao colhidas em momentos distintos e fermentadas em barricas de carvalho, garantindo assim a combinação das características que as bruxas-alquimistas desejam ver representadas nesse vinho, coincidentemente ou não, criado no distrito de Las Brujas. Os rosé costumam carregar a má fama advinda de décadas de uso de uvas de baixa qualidade na sua produção. Esse não é o caso aqui, e a degustação é obrigatória!

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Mais uma razão pra visitar, além aula de enologia proporcionada pela Analía ou a Valentina ? Os vinhos top. A bodega produz poucos e muito cuidados vinhos - seja pela seleção de uvas, uso de barricas etc. - então todos os vinhos da degustação aqui estão no quartil superior da escala de qualidade por um preco equivalente ao das bodegas maiores, que costumam compor suas degustacoes básicas com vinhos mais simples.


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Simples Vinho Por Taça:

  • Agende antes de ir falando com a Analía +598 95780629  ou a Valentina +598 94596109
  • Confira no mapa como chegar
  • Não deixe de provar o tannat rosado
  • Compare o zinfandel uruguaio com o californiano e o Primitivo de Puglia (versão italiana, original, aliás, da mesma uva)
  • Consulte por eventos especiais - como degustações verticais - nas suas datas
  • São poucos, mas há vinhos Artesana no Brasil. Se apaixone antes de ir!
  • Confira como são feitos e outras curiosidades dos vinhos disponíveis no Brasil no SV#13 com participação das enólogas

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Fabiana Knolseisen 10/11/2016

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Está em Montevidéu procurando uma bodega para visitar mas não consegue se decidir ? Tá fácil: a bodega Pizzorno é uma das mais próximas da capital e a visita é ótima! Começando pela recepção, feita pelo próprio Carlos Pizzorno, 4a geração de viticultores, ou seu filho Francisco Pizzorno. Eles fazem questão de receber pessoalmente os turistas e falam um portunhol perfeito!

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A visita é bem completa porque, apesar de pequena – cerca de 120 mil garrafas anuais – a produção é variada: tem brancos, rosés, tintos, espumantes, maceração carbônica e até um ice wine! Tudo explicado com muito carinho e profundidade aos visitantes pelo Carlos e o Francisco, que esclarecem: “nosso objetivo é agregar conhecimento, porque quanto mais se conhece, mais e melhor se aprecia nossos vinhos”.

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Ainda está em dúvida? Então pensa que, além dos argumentos que eu já dei, os vinhos são bem premiados! O tannat reserva ganhou medalha de ouro no Concurso Internacional Tannat al Mundo 2016, só para citar a última premiação. Mas tem mais: só na bodega se pode provar dois vinhos varietais experimentais, fermentados em barrica – um petit verdot e um tannat da colheita 2015, que foi show! Corre lá!

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Simples Vinho Por Taça:

  • Conheça mais sobre a maceração carbónica, com comentários do próprio Carlos Pizzorno, no SV#11 – Le Beaujolais Nouveau est arrivé
  • Há várias opções de degustação, inclusive uma com passeio de avião! Escolha a sua
  • Agende sua visita contactando por telefone +598 23689601 ou  email: visitas@pizzornowines.com
  • É possível almoçar na bodega mediante reserva prévia
  • O vinho ícone da bodega é o Primo – um blend com tannat, cabernet sauvignon, malbec e petit verdot em proporções que variam ano a ano. Vale à pena comprar na bodega (aceita cartão)
  • Se não fizer parte da sua degustação, de um jeito mas nao deixe de provar o tannat de maceración carbónica
  • Bem pertinho fica a tradicional bodega Castillo Viejo. Aproveite para visitar as duas na mesma viagem

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Fabiana Knolseisen, 25/10/2016

E no caminho, havia uma grata surpresa! Com cara de vendinha do interior mas super caprichado, o Almacén de la Capilla fica pertinho da Posada Campo Tinto – dá para ir nas bicicletas que a pousada empresta aos hóspedes – e no caminho da Bodega El Legado, que era meu destino. Gostei tanto que voltei no dia seguinte!

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A recepção pelo Diego é, eu acredito, a parte mais legal: ele vai guiando um recorrido pela bodega e explicando o processo de fazer vinho de um jeito bem “simprão” e encantador. A cava no porão, com as garrafas cobertas por teias de aranha, é outro ponto alto dessa viagem no tempo, que começa em 1855 com a vinda da família desde Gênova na Itália.

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Os vinhos Cordano são comercializados só ali na região de Carmelo mesmo. Os mais simples são vendidos a granel como antigamente: você leva sua garrafa vazia e volta com ela cheia! A linha “5ta Generación” até chega ao comércio local de Carmelo, mas a linha chamada “Almacén de la Capilla” é vendida exclusivamente ali na bodega. São vinhos jovens e vinhos de guarda, todos elaborados pela Ana Paula Cordano, a quinta geração da familía, com um carinho que salta aos olhos.

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Além dos vinhos, vale à pena degustar também outros produtos da região – queijos (o queijo colónia é bem típico e “quase” uma D.O., ou denomição de origem), azeites, azeitonas, embutidos, mel, grappamiel (bebida típica uruguaia, misto de grapa, água e mel) e os doces caseiros em compota. A vedete é a pêra ao vinho tinto. Tannat, claro!

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     Simples Vinho Por Taça:

  • São 247km desde Montevidéu (3 horas). Desde Buenos Aires são só 183km, mas toma umas 4h30 pegando o ferry rápido. O Google faz um mapa ótimo!
  • Aproveite para conhecer Colonia del Sacramento (83 km antes para quem vem de Montevidéu e parada obrigatória para quem vem de ferry desde Buenos Aires)
  • Não é necessário agendar visita. O Armazém é aberto todos os dias de 11am a 6pm. Já as degustações a Ana Paula Cordano gosta de acompanhar pessoalmente, então ela recomenda agendamento prévio. Vale WhatsApp, Facebook, email etc..
  • Pode-se optar pela degustação de 3 vinhos acompanhados de queijos da região por 20 dólares ou a versão mais completa por $25: 5 vinhos acompanhados dos queijos e fiambres e mais as famosas pêras ao vinho
  • Conheça também a Bodega El Legado
  • É possível hospedar-se numa cabana nos vinhedos. Combine com o Diego ou a Ana Paula por Whatsapp +598 99544255, email: almacendelacapilla@adinet.com.uy ou pelo Facebook
  • Curiosidade inútil: o famoso ex presidente Pepe Mujica é da família Cordano por parte materna e viveu parte da infância ali na região.

El legado balcao

Fabiana Knolseisen, 30/09/2016

O bodegueiro uruguaio já é normalmente super hospitaleiro, mas o Bernardo exagera! E a gente adora! Os proprietários Bernardo Marzuca e Maria Marta Barberis fazem questão de recepcionar pessoalmente os visitantes, que chegam o tempo todo com a crescente fama desta bodeguinha charmosa e deliciosa. O Bernardo – sim, até o final da visita você estará se sentindo como se fossem amigos de infância – vai te contar toda a história enquanto te leva percorrer a propriedade ou sentado no sofá, enquanto te mostra as fotos da construção e degusta um vinho (ou um chimarrão). E isso com um brilho nos olhos e uma paixão aos quais nem meu maridão coração de pedra conseguiu ficar indiferente!

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Eu não quero falar muito, porque eu acho que todo mundo deve ir e conhecer pessoalmente. Super recomendo! Mas lá vai: a bodega El Legado é uma homenagem ao pai, Don Luis Marzuca, que teve que abrir mão das terras na crise econômica dos anos 80 e acabou não concretizando o sonho de produzir seu próprio vinho. Em 2007 o Bernardo conseguiu recuperar pel legado barrilarte das terras e plantar as primeiras videiras. É 1 ha – mais ou menos 1 quarteirão – com tannat e syrah que produz 5mil garrafas por ano. O plano é não passar das 10mil. A família inteira trabalha na plantação e colheita, que acontece num churrasco de fim de semana em volta da piscina.

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O sistema de condução é quase desconhecido por aqui, o cordón vertical libre, orgulhosamente trazido dos vinhedos da Califórnia. Vale até estudar um pouquinho o te
ma para gerar uma discussão. Ele vai adorar! E de quebra os vinhos – 3 no total: um tannat, um syrah e um blend – são ótimos! O blend fica guardado no barril, e você tem a oportunidade de se servir diretamente usando uma pipeta, como fazem os enólogos. Esse da foto é o maridão se achando o tal!

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Para 2017 já devem estar prontas as cabanas, e será possível hospedar-se na bodega e amanhecer entre os vinhedos.

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O sistema de condução e os três vinhos produzidos. Todos premiados.

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Simples Vinho Por Taça:

  • São 247km desde Montevidéu (3 horas). Desde Buenos Aires são só 183km, mas toma umas 4h30 pegando o ferry rápido. O Google faz um mapa ótimo!
  • Aproveite para conhecer Colônia del Sacramento (83 km antes para quem vem de Montevidéu e parada obrigatória para quem vem de ferry desde Buenos Aires)
  • Convém reservar antes de ir. WhatsApp tá valendo: +598 98307193 ou Facebook
  • Quem visita em grupo pode optar por almoçar no local um típico churrasco uruguaio
  • Conheça também Almacén de la Capilla, bem pertinho e no caminho da bodega
  • Após a visita almoce (e/ou se hospede) na Posada Campo Tinto – também bem pertinho e no caminho da bodega
  • Para 2017 já devem estar prontas as cabanas, e será possível hospedar-se na bodega e amanhecer entre os vinhedos
El legado bernardo
Bernardo e Maria Marta